sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Espetacular Woolly Bugger

E se você só pudesse levar uma isca pra pescar, qual isca seria?

Com relativa freqüência, seja em rodas de conversa, fóruns ou em qualquer outra reunião de pescadores essa pergunta é trazida a foco. Surgem então inúmeras explicações (algumas fortemente sustentadas por argumentos científicos), outras pela grande experiência e empirismo dos debatentes para defender as suas escolhas. Na pesca com mosca não é diferente, mas acho que essa pergunta, em se tratando do fly, deveria ser tênuamente modificada para:

E se você só pudesse atar uma mosca pra pescar, qual pattern seria?

É claro que não existe isca tão perfeita que possa ser usada pra pescar desde pequenos lambaris até enormes dourados, mesmo porque o tamanho do anzol não seria adequado, o conjunto (vara/carretilha) não se adaptaria a todas as situações, etc. Portanto quando cito esta mosca, estou me referindo à receita original e suas variantes. Ah, sim... respondendo à pergunta, sem nenhum resquício de dúvidas, com toda minha convicção digo: Woolly Bugger.

A Espetacular Woolly Bugger

Essa é provavelmente a mosca (streamer ou ninfa como queiram classificá-la) mais conhecida e utilizada em todo o mundo. Não só por sua eficiência comprovada (tanto em água doce quanto em água salgada), mas também por ser versátil a ponto de imitar inúmeras espécies de animais desde sanguessugas, vermes, lagostins, girinos, ninfas de libélulas, pequenos peixes e uma enorme variedade de outros seres. Devido a sua popularidade e versatilidade aliada à simplicidade da montagem, é utilizada em diversas situações e para inúmeras finalidades, quase sempre para cada condição de pesca que o mosqueiro encontra, uma de suas incontáveis variações (receitas) se aplica muito bem. 

Neste passo a passo tentarei reproduzir a receita clássica (se é que existe uma) e apresentar algumas variações que julgo interessantes. Vamos a ela!

Material Básico:
  • Anzol Tiemco 5262 #10
  • Penas Marabou Olive
  • Chenille Olive
  • Penas Saddle Olive
  • Lead Wire
  • Ultra Wire
  • Thread 6/0 Olive
    Material Opcional:
    • Bead Head ou Cone Head
    • Rubber Legs
    • Dubbing
    • Brilho (Flashabou, Angel Hair, Krystal Flash, etc)
      Passo a Passo:

      1º Coloque um anzol (com a farpa amassada) na morsa e enrole de 10 a 14 voltas de fio de chumbo (lead wire). Comprima as voltas e posicione a "mola" que se formou no centro da haste para que a isca afunde de modo equilibrado, não deixe a "mola" muito para frente ou muito pra trás.


      2º Cubra o lead wire com o fio de atado passando por entre as voltas, na frente e atrás. Leve o thread até o final da haste onde se inicia a curva do anzol.  


      3º Separe um tufo de penas de marabou, para um controle mais fácil das plumas que são extremamente flexíveis, mergulhe o tufo em um copo d'água, com as fibras molhadas é muito mais fácil lidar com o marabou.


      4º A proporção da cauda deverá ter como base o mesmo tamanho da haste do anzol. Poderá ser ligeiramente maior ou menor, mas via de regra, utilize o mesmo tamanho da haste.


      5º Envolva o tufo de penas de marabou com algumas voltas do fio de atado. Corte o excesso.


      6º Enrole o fio de atado por sobre o excedente das fibras das penas de marabou e retorne com o thread para próximo à curva do anzol. 


      7º Ate o fio de cobre cobrindo com o thread e deixando bem firme. O fio de cobre será usado no final do atado para reforçar o hackle. 


      8º Retire as fibras da ponta do chenille, expondo sua "alma". Dessa forma é mais fácil sua fixação.


      9º Ate o chenille amarrando o cordão central com algumas voltas do thread. 


      10º Enrole o fio de atado por todo o corpo da mosca, até aproximadamente um olho de distância do olho do anzol. 


      11º Enrole o chenille por toda a haste do anzol, uma volta bem próxima à outra até chegar ao mesmo ponto do passo anterior (um olho de distância do olho do anzol). Fixe com o fio de atado e corte o excesso.


      12º Escolha uma pena de saddle que possua fibras com o comprimento aproximado de 2 vezes o tamanho do gap do anzol. Retire algumas fibras de um dos lados da pena para facilitar sua fixação. Posicione a pena de tal forma que a parte côncava fique virada para você.


      13º Fixe a pena enrolando o fio de atado sobre  a raque (parte central) até que as fibras estejam coladas ao chenille.


      14º Enrole a pena de saddle no sentido horário, de forma espiralada, deixando um espaçamento de alguns milímetros entre cada volta. Use um hackle plier para ter um controle melhor da pena.


      15º Segure a ponta da pena e comece a enrolar o fio de cobre por cima do hackle só que dessa vez no sentido anti-horário. Tente guiar o fio por entre os intervalos deixados pela pena. A cada volta, movimente o ultra wire pra frente e para trás, isso ajudará a evitar que as fibras da pena de saddle fiquem presas sob o fio de cobre.


      16º Leve o fio de cobre até o olho do anzol, fixe com o thread e corte o excedente.


      17º Faça a cabeça da mosca cobrindo aquele segmento que havia ficado separado (do tamanho de um olho de anzol) com algumas voltas do fio de atado em formato de um cone. Finalize com um nó de acabamento.


      18º Aplique uma gota de head cement para travar o nó de acabamento e finalizar a mosca.

       

      Variações:

      Existem incontáveis variantes da Woolly Bugger, algumas modificam pouco a receita original e acrescentam ou alteram pequenos detalhes, como é o caso da Big Eyed Bugger, variante que acrescenta algumas fibras de brilho na cauda e grandes olhos na cabeça.


      Big Eyed Bugger variação criada por Oliver Edward


      Já algumas outras variantes modificam de tal forma a receita original que a primeira vista podemos imaginar ser outra mosca, mas se analisarmos cuidadosamente podemos encontrar nessas variantes os mesmos elementos básicos da receita original. A Autumn Splendor, criada por Tim Heng, além de acrescentar o cone head e o brilho na cauda, apresenta rubber legs como mais um atrativo e como forma de despertar mais interesse nos peixes.

      Autumn Splendor, criação de Tim Heng, na leitura de Charlie Craven

      Dennis Collier modificou a receita original trocando o chenille por ice dub na cor light yellow, também acrescentou um cone head e um hackle extra logo atrás (concentrado na cabeça), além do hackle distribuído pelo corpo da mosca.

      Vanilla Ice Bugger, variante de Dennis Collier, atada por Charlie Craven

      Essa não é propriamente uma variante da Woolly Bugger, mas se assemelha em muito ao seu pattern, trata-se de uma variante de outra mosca, a Blood Worm, que uso com sucesso na pesca de lambaris.

      Blood Worms usadas com sucesso na pesca dos pequenos valentes 

      Como trabalhar a isca:

      Devido ao grande número de variantes, com mais ou menos lastro, cone heads e rubber legs, o trabalho dessa mosca pode mudar um pouco em função das modificações que lhes foram aplicadas. Em se tratando da receita original é uma mosca que afunda com relativa velocidade, logo via de regra deve-se aguardar alguns segundos após o arremesso para então trabalhar a isca de duas formas básicas: com pequenos toques intercalados por breves pausas e através de um recolhimento lento e contínuo.

      Lembre de Não Esquecer:
      • O tempo de afundamento da mosca vai depender da profundidade que o peixe está. Varie a contagem dos segundos após o arremesso até encontrar o tempo ideal.
      • Antes de fazer o primeiro arremesso, deixe a mosca dentro d'água por alguns instantes até que o chenille fique encharcado, isso ajudará no seu afundamento.
      • O número de voltas com fio de chumbo e a adição de um bead head farão a mosca afundar mais rapidamente, regule a quantidade de lastro de acordo com as condições de pesca locais.
      • O deslocamento do lastro para a frente da mosca lhe conferirá um movimento de jig, que em determinadas condições pode ser muito efetivo. 
      Grande Abraço

      segunda-feira, 17 de junho de 2013

      Acertando os Pequenos na Mosca

      Acho que não existe representante mais autêntico da pesca no Brasil que esse pequeno porém muito valente e voraz peixinho, o lambari (ou piaba ou piava, como também é conhecido). Por toda parte, pode-se facilmente encontrar um bom número de pescadores, esportivos ou não que já travaram divertidas batalhas com esses diminutos guerreiros. É bastante comum ver em pequenos rios, represas, açudes e até em modestos lagos, avôs e netos, pais e filhos, amigos, enfim diferentes grupos de pescadores munidos com o mais tradicional dos equipamentos: vara de bambu e uma lata de minhocas compartilhando agradáveis momentos sacando da água essas pequenas jóias prateadas.

      E as qualidades desses pequenos notáveis se estendem também para outras modalidades, inclusive a que mais nos interessa, a pesca com mosca. Fisgar lambaris com equipamento de Fly não só é possível como também pode ser surpreendentemente prazeroso. O lambari é um devorador por natureza, é extremamente veloz e ataca vigorosamente qualquer coisa que se pareça com alimento, tanto na superfície quanto em águas mais profundas, o que o torna perfeito para a pesca com moscas secas, molhadas e ninfas.

      Eles estão presentes tanto nos poços quanto nas partes mais rasas

      Dono de uma dentição privilegiada, é capaz de arrancar pedaços do que estiver lhe servindo de alimento (minhocas, massa, etc) e acabar rapidamente com as iscas que lhe são apresentadas com poucas mordidas. O mosqueiro que se aventurar a enfrentar esses pequenos guerreiros precisa estar munido de um boa quantidade de moscas, pois estas se desfarão em pouco tempo.  Na hora de atar iscas para lambaris, é recomendável adicionar reforço para torná-las mais resistentes a seus afiados dentes. 

      Em função da espécie de lambari (existe um grande número delas), o tamanho da boca pode variar a tal ponto que exija além da tradicional escolha da numeração dos anzóis, uma adequação da mosca quanto a seu formato. A comparação abaixo, muito bem observada pelo mestre Gregório (exímio conhecedor da pesca de lambari com fly), mostra claramente que o mesmo anzol (inclusive a mesma numeração) pode produzir moscas com áreas (em uma visão 2D) bem diferentes, e que a escolha do formato mais apropriado pode favorecer de modo significativo o aumento do número de fisgadas.

      Moscas atadas no mesmo anzol possuem áreas diferentes

      Nas oportunidades que tive de enfrentar os pequenos valentes, testei um bom número de diferentes iscas, baseado nas informações que havia colhido, atei somente moscas sem cauda (com excessão de uma variante da Blood Worm cuja cauda de Marabou é bastante flexível), todas produziram boas fisgadas. Porém, não sei se por conta das condições locais onde fiz as pescarias, destaco duas moscas (uma seca e uma ninfa) que em minha opinião se mostraram mais eficientes. 

      A primeira (minha escolha para pesca na superfície), se baseia no padrão sugerido pelo mestre Gregório, na verdade trata-se de uma variante da famosa F Fly. Nessa montagem, usei um anzol Tiemco 100 #20 (pois nos locais onde estive os lambaris são bem pequenos), nele ao invés do dubbing foi enrolado uma pena de pavão albino para fazer o corpo da mosca, para a asa usei fibras de pena de CDC viradas para trás (como em uma asa de caddis), finalizei a cabeça da mosca usando somente o fio de atado.


      Mosca seca baseada no padrão do mestre Gregório e na F Fly

      A segunda que se mostrou mais produtiva, sempre que queria pescar abaixo da superfície, foi uma variação da Blood Worm. Nesta montagem, usei um anzol Tiemco 200R #20, a cauda foi feita com fibras de Marabou, para o corpo da mosca usei somente fio de atado sobreposto em camadas até chegar a um volume adequado, pra finalizar um generoso colar feito com pena de pavão albino.

      Ninfa baseada no padrão Blood Worm

      Os outros padrões que experimentei foram: Zebra Midge, Brassie, Midge Emerger (usando micro foam para fazer o corpo), Tunkwanamid (substituindo o original Ostrich Herl do hackle por Peacock Herl) e IOBO Humpy. Todos esses padrões sem exceção produziram bons resultados.

      Algumas outras opções para os Pequenos Valentes 

      A pesca que fiz foi vadeando em rios em sopés de serras, com fundo de seixos e areia, relativamente rasos (até 1 metro de profundidade) e razoavelmente largos, algo em torno de 10 metros. Nesses locais, o lambari habita desde as áreas mais profundas (poços e canais) até às partes mais rasas com menos de um palmo de profundidade em determinados pontos. A maioria das ações foi produzida arremessando-se nas margens, onde é mais raso, e em trechos nos quais a correnteza não é muito forte, parece que eles preferem as águas mais tranquilas. Os ataques se deram segundos após a isca cair na água, devido à sua visão aguçada e velocidade, basta a mosca (mesmo as ninfas) tocar a superfície para que se inicie a corrida pela primeira bocada.

      Moscas lastreadas (com fio de cobre ou bead head) em partes mais fundas resultaram em capturas de indivíduos maiores, nas partes mais rasas os menores e mais ligeiros não dão chance para os de maior porte ganhando a corrida de disparada, ainda mais quando se usa mosca seca. A sutileza da fisgada normalmente acontece em águas mais calmas, à medida em que a correnteza fica mais severa, as investidas exigem mais esforço dos peixes produzindo ataques mais vigorosos. 

      Os lambaris atacam vigorosamente as ninfas

      Capturá-los com mosca seca é ainda mais recompensador, pois identifica-se o momento da fisgada com mais precisão e as explosões produzidas pelos ataques na superfície da água adicionam beleza plástica a cada ação. 

      E também as secas

      É importante lembrar que:
      • Em todas as iscas os anzóis estavam com as farpas amassadas, de forma alguma isso prejudicou as capturas e de quebra facilitou muito a liberação dos peixes (foram todos liberados).
      • Os ataques continuaram (apesar da eficiência das fisgadas não ter sido igual), mesmo usando iscas em anzóis maiores (#16), os pequenos são tão gulosos que por vezes é difícil acreditar que conseguem abocanhar moscas tão grandes.
      • É sempre bom ter à mão uma pequena tesoura, caso o mosqueiro faça a opção por iscas com cauda, postes e asas e haja a necessidade de desbastá-los de modo a facilitar as fisgadas.

      Grande Abraço

      segunda-feira, 20 de maio de 2013

      Rubber Popper e a Câmara Secreta

      Espero que o criador da isca (que na verdade se chama Ghost Popper), o mestre Jay "Fishy" Fullum, me perdoe pelo talvez inapropriado trocadilho, mas não encontrei título melhor pra descrever o passo a passo dessa simples e notável mosca. A idéia genial apresentada aqui mais uma vez ressalta a criatividade e a admirável capacidade de observação que para algumas pessoas, como o mestre Jay, é um ato natural e corriqueiro ao passo que para outros (como eu) é uma duríssima tarefa. Vislumbrar que o mais improvável item em uma loja de material de construção, artesanato ou papelaria tem enorme potencial para se tornar uma mosca eficaz e pegar peixe é para poucos.

      O principal elemento na confecção desta mosca é o Weatherseal ou Fita para Vedação, um semi tubo de borracha oca que possui na face reta uma superfície adesiva. Esse material é utilizado para vedar portas e janelas, protegendo contra vibrações, entrada de poeira, umidade e também usada como isolante térmico. Existe no mercado em diversas cores e formatos, mas esse em especial possui um perfil muito interessante, na forma de uma letra "D", perfeito quando dobrado e sobreposto a si mesmo para a montagem do corpo da mosca.

      Detalhe (à direita) do perfil em forma de "D" da Fita para Vedação ou Weatherseal


      Abaixo, em corte transversal, podemos ver com clareza que o corpo da isca foi amarrada em 2 pontos, estrangulando os dois semi-tubos sobrepostos (pela face reta), formando 2 câmaras de ar que garantirão a flutuabilidade da mosca. A parte de baixo do corpo do popper, onde aparece a haste do anzol (revestida por chenille), serve para a ancoragem do material. Ao final uma pequena quantidade de epóxi pode ser aplicada na "boca" da mosca selando definitivamente as câmaras.

      Seção transversal mostrando a Câmara Secreta (na verdade duas)

      Material Básico:
      • Fita para Vedação (Weatherseal)
      • Anzol wide gap de haste longa reta (nesta montagem utilizei um Daiichi Stinger #2)
      • Thread 6/0 (branco ou monofilamento para atado)
      • Cola de cianoacrilato
      • Chenille (qualquer cor)
      • Olhos de Boneca
      • Sili legs (ou perninhas de borracha)
      • Unique Hair Branco (ou outra fibra qualquer para a cauda)



      Material Opcional:

      • Epóxi (para selar as câmaras)
      • Angel Hair (ou outro brilho para a cauda)
      • Marcador permanente, esmalte ou tinta acrílica


      Passo a Passo:

      1º Corte um pedaço da fita para vedação que seja correspondente a duas vezes o comprimento da haste do anzol. Faça uma marcação na parte curva da fita exatamente no meio do pedaço.



      2º Prenda o anzol (com a farpa já amassada) na morsa, faça uma base com o fio de atado, passe cola, prenda um pedaço de chenille na haste na mesma direção da ponta do anzol enrolando até o olho (deixe um espaço livre correspondente a aproximadamente 2 vezes o olho do anzol).


      3º Enfie o anzol na cavidade da fita para vedação de tal forma que a ponta perfure e saia exatamente na marcação feita anteriormente (metade do comprimento).


      4º Passe cola no chenille (se preferir pode usar epóxi) e empurre o anzol até que a parte reta da haste esteja quase saindo pelo furo. Note que o espaço livre próximo ao olho do anzol deverá ficar fora da cavidade da fita para vedação.


      5º Depois de seco, coloque o anzol novamente na morsa com a face reta da fita para vedação voltada para cima. Retire a proteção da face reta, expondo a superfície adesiva, posicione de 3 a 4 perninhas mais ou menos no meio da haste do anzol (25% do comprimento da fita para vedação) aplique uma gota de cola para fixar.


      6º Passe uma camada de cola na face reta e dobre a ponta de trás sobrepondo a parte que está fixada no anzol, cuidando para que as pontas fiquem perfeitamente alinhadas (apesar da fita para vedação possuir uma superfície adesiva, esta não me pareceu suficientemente aderente e apliquei uma camada de cola extra para garantir que tudo se manterá no lugar). Aplique uma gota de cola (ou epóxi) no furo onde saiu o anzol  para vedar a parte de baixo e evitar eventual entrada de água.


      7º Faça duas amarrações com o fio de atado, a primeira imediatamente na frente das perninhas e segunda na metade da parte delimitada pela primeira amarração e a ponta da fita para vedação. Aperte bem o fio de atado para estrangular a fita e formar as câmaras de ar.


      8º Aplique uma gota de cola de cada lado, em cima da segunda amarração feita com o fio de atado (a mais próxima do olho do anzol), prendendo os olhos de boneca na cabeça da mosca.


      9º Separe um tufo de Unique Hair (ou a fibra de sua escolha) com aproximadamente o dobro do comprimento do anzol, prenda-o pela metade imediatamente atrás do ponto onde está fixada a fita para vedação, dobre a outra parte por cima e amarre para formar a cauda do popper (nesse ponto pode-se acrescentar o brilho). Arremate com o nó de acabamento de sua preferência e aplique uma gota de colar para fixar bem.


      10º Coloque a mosca na posição vertical com a cabeça virada para cima e preencha as duas cavidades das pontas da fita para vedação (a inferior e a superior) com epóxi de forma a selar definitivamente o corpo do popper. Espere secar e a mosca estará pronta!


      Variações:

      Pode-se adicionar um pouco de cor com um marcador permanente, esmalte ou tinta acrílica, produzindo-se padrões com combinações de cores que sejam atrativas aos peixes de sua região. Mesmo para o padrão branco, recomendo pintar a parte da boca com um tom avermelhado de forma a torná-lo mais chamativo.


      Padrão branco (Ghost) e Variação Colorida


      Como trabalhar a isca:

      Lance a mosca e tracione com pequenos recolhimentos de linha intercalados com breves pausas. A velocidade irá depender da atividade dos peixes, via de regra quando estão mais ativos pode-se trabalhar de forma mais rápida. Se estiverem letárgicos diminua o ritmo.

      Lembre de Não Esquecer:
      • Essa montagem produz uma mosca com corpo volumoso tornando praticamente obrigatório o uso de um anzol wide gap (podem ser utilizados anzóis com outros formatos de abertura, desde que estas sejam grandes).
      • Além de outros tipos de fibras sintéticas, a cauda pode ser confeccionada com marabou, bucktail, fibras de pena de avestruz ou qualquer outro material que produza uma boa vibração.


      Grande Abraço 

      quinta-feira, 18 de abril de 2013

      Pesca de Vadeio

      Caminhar pelas águas é sentir-se verdadeiramente parte integrante do bioma que o cerca.

      Esta não é uma frase de um pescador famoso nem tampouco citação de algum autor que escreva sobre pesca esportiva, apenas minha opinião sobre a forma mais prazerosa (a meu ver) de exercitar a pesca com mosca. Particularmente acho que não existe melhor definição para o que sente um mosqueiro quando está praticando a pesca de vadeio. 


      Vadeio no rio Aiuruoca - MG

      Dentre as diversas formas de praticar o fly fishing (caiaque, no seco, flotada, etc) o vadeio, além de ser a mais clássica, acredito que seja também a mais recompensadora. O prazer de estar pescando literalmente no mesmo ambiente que o peixe transmite ao pescador esportivo a sensação de que as dificuldades são ainda maiores. Pode não parecer à primeira vista, mas estar na água ou fora dela faz uma enorme diferença. Dentro da água, em especial em um rio, além da visão, olfato e audição mais requisitados pois tudo está acontecendo à sua volta, temos mais um sentido sendo estimulado, o tato. Vencer a correnteza, achar o equilíbrio e caminhar sobre um leito arenoso ou de pedras, acrescenta mais pontos ao desafio de atrair e fisgar seu troféu.

      A pesca de vadeio, em função de onde é praticada (flats, rios de montanha, lagoas, etc) exige equipamento apropriado e diverso, proporcionando conforto e segurança ao pescador esportivo durante sua caminhada pela água. Acredito que o vadeio em rios de montanha seja a variante mais desafiadora e que requer o maior número de acessórios, pelas condições normalmente encontradas nesses rios: leito e fundo com pedras de diferentes tamanhos, trechos compostos por degraus formados pela ação da descida da água, temperatura da água geralmente baixa, correnteza acentuada em certos trechos, etc. A seguir, destaco alguns assessórios usados nesta variante, tanto por ser a que exige mais equipamentos quanto por ter sido a única que pratiquei com o fly.


      Sem as botas de Vadeio seria muito difícil caminhar sobre um fundo de cascalho

      Wading Boot - É um dos acessórios mais essenciais à pratica do vadeio, além de proteger a sola dos pés (sem essa proteção seria praticamente impossível caminhar sobre um fundo pedregoso), também evita escorregões por ter a sola antiderrapante (existem diversas solas que previnem, ou minimizam muito, os escorregões: feltro, hard bites, vibram sole, etc) e ajudam também a evitar torções do tornozelo (pela estrutura encorpada e cano longo). Normalmente são sobrepostos (a parte de cima do cano) pelo wader para bloquear a entrada de sedimentos. Alguns pescadores ainda fazem uso dos gravel guards (tiras de neoprene presas por elásticos ou velcro) para vedar ainda mais a entrada de pedras ou outras partículas que possam causar incômodo ao caminhar. 


      Modelo Flat Bootie da SIMMS

      Nos flats, praias e manges onde há formações de coral e outras estruturas mais planas (lajes de pedra, conchas, raízes, etc) normalmente usa-se um outro tipo de calçado (flat booties), mais leves, feito de neoprene com uma sola plana de borracha.

      Modelo Pro Guide da Orvis

      Wader - Outro equipamento muito importante, principalmente em águas frias e nos casos em que necessita-se de proteção para a pele de qualquer natureza. O modelo mais comum é um macacão (chest wader) com meias de neoprene soldadas e suspensório, os mais modernos são confeccionados com material respirável e ainda assim impermeável garantindo que o pescador se mantenha seco. Normalmente possuem bolsos impermeáveis que ajudam a carregar outros itens essenciais para quem vai caminhar pelo rio ou mar e não terá a todo tempo um ponto de apoio próximo para deixar outros equipamentos.



       
      Modelos Stocking Foot Waist da Sierra e Nylo-Stretch Deluxe Hip da Ron Thompson

      Existem também outras opções que protegem somente até a cintura (calças ou waist waders) e até mesmo só as pernas (perneiras ou hip waders).


      Com as botas e o macacão o mosqueiro já estará apto a caminhar pelas águas, porém existem alguns outros itens que ajudarão em muito a pesca de vadeio, provendo maior conforto e praticidade ao pescador.


      Folding Wading Staff da Simms

      Wading Staff - Caminhar em um rio de montanha, com relevo irregular e águas rápidas exige muito mais do equilíbrio do que se possa imaginar. Nesta situação um ponto de apoio a mais faz toda a diferença. O bastão de vadeio permite que pescador mantenha a firmeza dos passos até conseguir um ponto mais tranquilo e seguro para fazer os arremessos. Além do apoio extra, ajudam também na identificação da profundidade e podem auxiliar a prevenir acidentes. Os wading staffs normalmente possuem um cabo retrátil para fixação enquanto não estão sendo usados como apoio e alguns modelos são fabricados utilizando um prático sistema de montagem/desmontagem que permite tanto sua rápida abertura quanto uma considerável redução do tamanho para fins de transporte e armazenagem.

      Modelo Blackfoot River da Redington 

      Colete - Complemento indispensável para um vadeio mais longo, situação que exige que o mosqueiro carregue consigo um considerável número de pequenos itens (pinça, leaders extras, caixa de moscas, tippets, nipper, flotante, etc). Alguns modelos ainda contam com bolsos impermeáveis para documentos, celulares e chaves e compartimentos maiores (normalmente nas costas) para itens mais volumosos.

      Lanyard - Modelo da Morning Stars 

      Ainda existem o necklaces ou lanyards, cordões com clips e prendedores retráteis que também permitem deixar à mão os acessórios considerados mais úteis pelo pescador.

      Net preso ao colete por um cabo retátil 

      Net - O Puçá, Passaguá, Coador ou Landing Net, para algumas espécies de peixes e/ou para quem quer garantir a foto, é um item que também não pode ser dispensado. A forma mais prática de incorporá-lo ao equipamento de vadeio é fixá-lo a um cabo retrátil preso ao colete (nas costas) ou na cintura, deixando-o ao alcance das mãos, de forma a facilitar o manejo do peixe dentro d'água.

      Nunca é demais lembrar que passar algumas horas caminhando em rios de montanhas, em flats, lagoas ou praias requer planejamento prévio e monitoramento constante do clima, o tempo pode mudar repentinamente e deixar o mosqueiro exposto a adversidades como tempestades ou enxurradas. 

      Grande Abraço 

      terça-feira, 26 de março de 2013

      Microfoam Ant

      Sou fã do chamado "atado alternativo", e apesar de estar há pouco tempo em contato com o fly e com a atividade de atar, tenho notado um modesto porém contínuo crescimento do uso dos materiais sintéticos (e similares). Talvez pela escassez cada vez maior das fibras naturais e pelo consequente aumento de seu custo, pela durabilidade, ou mesmo pela tentativa (iniciativa) de popularizar essa apaixonante modalidade, não importa, fato é que não há como argumentar contra a simples porém sábia afirmação de um expert no assunto, o mestre Odimir Manoel Gaspar: "...Praticamente todos os materiais convencionais e clássicos hoje usados no atado, de certa forma um dia foram materiais alternativos...". Não sou contra o uso de materiais naturais e tradicionais, comercializados especificamente para esse fim, muito pelo contrário para alguns ainda não existem substitutos, porém inegavelmente o material alternativo tem seu valor e seu espaço.

      Considero que a criatividade é uma das características mais louváveis de um atador, pesquisar novos materiais, experimentá-los no atado e desenvolver técnicas para confeccionar moscas usando materiais não destinados a esse fim requer grande poder de observação e um enorme senso de oportunidade.  Isso explica minha enorme admiração pelo mestre Betinho Oliveira, uma referência quando se fala em atado alternativo (suas adaptações são fantásticas), vislumbrar que um simples cadarço poderá formar um excelente abdômen para ninfas ou que as fibras daquele espanador dariam um ótimo streamer pode parecer óbvio, mas só se torna evidente após alguém ter tentado e obtido sucesso. Um dos atadores mais talentosos que conheço e que também é adepto do atado alternativo é o mestre Jay "Fishy" Fullum, seu livro Fly Tying with Common Household Materials, é uma fonte muito inspiradora de idéias e incentivadora da criatividade e adaptação.

      Bom, mas vamos ao atado. Esta é uma mosca muito fácil de ser atada, não requer muito material, nem muitas ferramentas, até o passo a passo é simples. Também não é nenhuma novidade, é uma adaptação de uma mosca clássica, originalmente montada com dubbing natural (pêlo de coelho), amplamente usada e divulgada dado a facilidade de montagem, sua eficiência comprovada e abundância do inseto que se propõe a imitar, uma formiga alada. A diferença é a grande sacada do mestre Jay que propõe a utilização  na sua confecção de um material muito comum hoje em dia e que é comumente descartado: espuma de proteção de aparelhos eletrônicos (Isomanta ou Microfoam).



      Antes de iniciar o passo a passo propriamente dito, prepare o material cortando-o em tiras finas (sugiro 3 mm de largura). Corte todo o material que possuir e armazene para uso futuro. Essas tiras pode ser usadas para inúmeras finalidades, as mais práticas e interessantes são a confecção de abdômens de moscas secas, postes para emergers e para a montagem da formiga alada.

      Material Básico:
      • Anzol de haste longa reta para moscas secas (2XL tamanhos #12 a #18)
      • Tiras de Microfoam (3mm de largura)
      • Thread 6/0 (preto ou marrom)
      • Cola de cianoacrilato
      • Esmalte (preto ou marrom)
      • Pena de galo (saddle ou neck)



      Material Opcional:
      • Poly Yarn
      • Pernas de borracha
      • Fio de Chumbo
      • Marcador Permanente

      Passo a Passo:

      1º Coloque um anzol (com a farpa amassada) na morsa, faça uma cama de linha por toda a haste do anzol iniciando bem próximo ao olho, deixando livre uma distância suficiente para fazer a cabeça da mosca (aproximadamente 1 vez o tamanho do olho do anzol) até o início da curva.


      2º Passe uma camada de cola por sobre a linha de atado para reforçar a base. 


      3º Fixe uma tira de microfoam no final da base de thread, bem em cima da curva do anzol.


      4º Enrole a tira de microfoam no anzol, cobrindo aproximadamente 40% da haste, formando uma bolinha (abdômen da formiga). Com o fio de atado dê forma ao abdômen, fixando a tira no lugar.


      5º Continue a prender a tira na haste deixando uma distância suficiente para enrolar a pena do hackle. Comece uma nova bolinha para formar o tórax da formiga (essa bolinha deve ser ligeiramente menor). Tenha o cuidado de não invadir aquele espaço deixado antes do olho do anzol para formar a cabeça da mosca. Novamente cubra com o thread dando formato e fixação.


      6º Enrole o fio de atado entre o olho do anzol e o tórax formando a cabeça da formiga. Corte o excesso da tira de microfoam e finalize com um nó de acabamento (caso queira tornar a mosca mais durável, passe uma fina camada de cola por cima de tudo).


      7º Pinte o corpo da formiga com esmalte e espere secar.


      8º Prenda o thread novamente no espaço entre o abdômen e o tórax, fixe a pena de galo e enrole dando umas quatro a cinco voltas. Corte o excesso da pena, faça um nó de finalização e coloque uma gota de cola de cianoacrilato. A formiga já está pronta!


      Variações:

      Além da formiga com o hackle, da direita pra esquerda vemos uma variação com a adição de duas pequenas pontas de asa de galo (tanajura), uma versão com pernas de borracha e asas de poly yarn (com uma gotinha de tinta amarela funcionando como indicador de batida) e uma outra combinação de cores.


      Como trabalhar a isca:

      Esta isca pode ser trabalhada de diversas maneiras dependendo da montagem. Pode simplesmente ser lançada na água e deixada ao sabor da correnteza ou vento, pode ser tracionada com pequenos recolhimentos de linha, pode ser usada como ninfa (adicionando-se um fio de chumbo como lastro por baixo do microfoam). De todas as formas é certo que provocará muitas ações que resultarão em muitas fisgadas.

      Lembre de Não Esquecer:
      • Caso esteja usando a formiga como mosca seca (flutuante) e ela começar a afundar, deve-se "secá-la" com um sopro ou fazer alguns false casts para retirar a água. Alternativamente, pode-se aplicar flotante para recuperar a flutuabilidade.
      • Podem ser utilizados anzóis curvados para ninfas, desde que a haste seja suficientemente comprida para acomodar o abdômen e o tórax da mosca.
      • O microfoam aceita muito bem a pintura feita com marcador permanente, caso esteja utilizando esse material para formar o abdôme de moscas secas, essa é a melhor opção para tingí-lo.
      Grande Abraço

      quarta-feira, 13 de março de 2013

      Associação Brasileira de Pesca com Mosca - ABPM

      Uma ótima notícia pra quem, independentemente de ser mosqueiro, gosta da pesca esportiva, compreende os fundamentos associados à ela (como a importância de soltar o peixe, a preservação dos biomas e muitos outros) e ama a natureza: junto com o início do mês de março, após um trabalho primoroso de dedicação e perseverança, fomos presenteados com uma nova jornada na pesca com mosca no Brasil, a institucionalização da ABPM.

      Se você acredita que ser um pescador esportista é muito mais do que simplesmente encarar a pesca como um esporte, se você entende que é preciso preservar e trabalhar em prol da preservação, se você também crê que para que a pesca com mosca se torne cada vez mais presente e forte no contexto da pesca esportiva no Brasil é fundamental participar, associe-se e divulgue.




      Apoio integralmente este projeto e as idéias que estão fundamentadas em sua visão, missão e valores. Visite o site da ABPM, conheça o projeto e filie-se: 



      "Juntos somos mais fortes"

      Grande Abraço